quinta-feira, 16 de junho de 2016

As vezes acordo assim....Não quero sair da minha concha, não quero contato com a vida la fora!





Escondi-me numa concha, no fundo do mar,
mas esqueci-me em qual.
Cotidianamente desço às profundezas
e côo o mar por entre os dedos
a ver se dou por mim.
Às vezes penso
que fui comido por um peixe gigante
e eu procuro por toda a parte
para o ajudar a engolir-me por completo.
O fundo do mar me atrai e espanta,
com os seus milhões de conchas
semelhantes.
ah, eu estou numa delas
mas não sei em qual.
Quantas vezes fui diretamente a uma conha
dizendo : " Este sou eu".
Quando abria a concha
Estava vazia.






Marin Sorescu (Romênia 1936-1995)